Setor de serviços em alerta! Entenda o que muda com o fim do ISS

Publicado em 19 de janeiro de 2026

Jornal Contábil

O sistema tributário brasileiro atravessa sua mais profunda reformulação em décadas, com impactos diretos e imediatos sobre o setor de serviços. No cerne dessa transformação está a extinção gradativa do Imposto Sobre Serviços (ISS) e sua substituição pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). 

A mudança não se restringe à nomenclatura. Ela altera a lógica de apuração, o local da tributação e a forma como a Nota Fiscal de Serviços eletrônica (NFS-e) é emitida e escriturada.

O fim da fragmentação municipal

Atualmente, a tributação sobre serviços é regida pela Lei Complementar nº 116/2003, mas sua execução é pulverizada entre mais de 5.500 municípios. 

Cada prefeitura possui autonomia para definir alíquotas (entre 2% e 5%), regras de retenção e obrigações acessórias próprias. Essa autonomia resultou em um cenário de alta complexidade para empresas que atuam em múltiplas cidades, gerando insegurança jurídica e custos elevados de conformidade.

Muitas vezes, a indefinição sobre o enquadramento de atividades modernas — como consultorias digitais e serviços de tecnologia — provoca conflitos de competência, nos quais dois ou mais municípios reivindicam o mesmo imposto. A chegada do IBS visa encerrar essa “guerra fiscal” ao estabelecer uma norma padronizada e nacional, gerida por um Comitê Gestor unificado.

Tributação no destino e não cumulatividade

Diferente do modelo atual, onde o ISS é frequentemente recolhido no local do estabelecimento prestador, o IBS adota o princípio do destino. Isso significa que o imposto será devido onde o serviço é efetivamente consumido.

Outra base da reforma é a não cumulatividade plena. Enquanto o ISS é, em muitos casos, um tributo cumulativo que encarece a cadeia produtiva, o IBS permitirá o aproveitamento integral de créditos. Para as empresas, essa mudança exige um controle rigoroso das operações de entrada e saída, tornando a rastreabilidade um elemento indispensável para a eficiência financeira.

A tecnologia como peça central 

A transição para o novo modelo impõe uma revisão obrigatória dos processos internos. A emissão da NFS-e passará a exigir novos campos fiscais, incluindo a identificação precisa do imposto, bases de cálculo específicas e alíquotas nacionais unificadas.

Nesse contexto, os sistemas de gestão (ERPs) e emissores de notas fiscais deixam de ser meras ferramentas operacionais para se tornarem garantidores de compliance. O preenchimento manual de guias e notas torna-se inviável diante das novas validações automáticas e da integração necessária com o Comitê Gestor do IBS.

Período de convivência e adaptação

A reforma prevê um período de coexistência entre o modelo antigo e o novo. Durante essa fase, contadores e gestores financeiros precisarão lidar com apurações paralelas e regras híbridas. 

Para prestadores de serviços, Microempreendedores Individuais (MEIs) e pequenas empresas, a adaptação tecnológica será o principal divisor entre a conformidade e o risco de autuações.

A simplificação prometida pelo IBS — com menos obrigações acessórias locais e maior transparência — é real, mas sua efetivação depende da capacidade das empresas de parametrizar seus sistemas às novas exigências. A antecipação estratégica surge, portanto, como a única via para mitigar os riscos fiscais e garantir a sustentabilidade operacional a partir de 2026.

Voltar para a listagem de notícias

Dúvidas frequentes

Veja respostas rápidas sobre nossos serviços contábeis.

Cuidamos de todo o processo: análise do CNAE, enquadramento tributário (MEI, Simples, Presumido), contrato social, CNPJ, inscrições e alvarás. O prazo médio varia conforme o município, mas normalmente leva de 5 a 15 dias úteis. Você acompanha cada etapa pelo nosso time.

Em geral: notas fiscais emitidas/recebidas, extratos bancários, movimento de cartão e folha de pagamento (se houver). Envie até o 5º dia útil para garantirmos apurações e guias no prazo.

Sim! Atuamos com MEI (formalização e obrigações), Simples Nacional (apuração mensal/DAS) e Lucro Presumido (IRPJ/CSLL/PIS/COFINS/ISS/ICMS). Também orientamos sobre planejamento tributário para escolher (ou migrar para) o melhor regime.
Não achou sua dúvida? Fale com nosso time.